Um sopro só
e meu olhar se volta ao teu
onde você está
qual a cor da tua camisa
o que leva na mochila
para onde olham seus olhos
agora
em que estação
qual canção você murmura à noite
antes de dormir
quantas bocas em vão te esperam
de quem é teu riso
tuas mãos trêmulas
teus minutos de ternura
tua amargura
só um sopro
e meu olhar já quer saber do teu
segue ...
Acolho o peso do teu corpo
tuas costelas doídas
abotoadas
embotadas pela descrença
procuro no brilho da retina
um pouco de amor bonito
mas ele não está
já foi embora
passou de visita
pra regar
o canteiro sem flores
que matou o amor
no berço
e segue
vazio
.....
E fomos juntos colocar
flores
no túmulo do nosso amor
mas ele não estava morto
...
Ainda respirava
nos escombros da casa
O amor
pedia
um prato de comida.
domingo, 28 de setembro de 2008
A luz do transitório
Por Manuel Bandeira e Fabi Borges
Abaixo às identidades pré-estabelecidas
Os autoritarismos egocentristas de esquerda
Todas as coisas que precisam de rótulos
Bandeiras
Estou farta do senso politicamente correto burocrata
Que não se cansa de apontar o dedo
Mas é incapaz de olhar o próprio umbigo
Julga
Fere
Não enxerga
Não compreende
Não dá espaço
( enquanto bebe vinho francês)
Da liberdade que castra
Não olha o espelho
Não ouve
Condena
Esconde a arma
Estou farta
Quero antes o que transgride
O que está no meio
A política dos corpos
O que é matéria prima
Transitoriamente potencial
O que não tem lados
Nem muros
Nem sexo
Ou muitos sexos
O que ainda não atravessou a rua
O outro
Seja lá o que saia da sua boca
Sem dentes
...
Ouve o silêncio
Lê onde não chegam as palavras
Não existe libertação fora de si mesmo.
Abaixo às identidades pré-estabelecidas
Os autoritarismos egocentristas de esquerda
Todas as coisas que precisam de rótulos
Bandeiras
Estou farta do senso politicamente correto burocrata
Que não se cansa de apontar o dedo
Mas é incapaz de olhar o próprio umbigo
Julga
Fere
Não enxerga
Não compreende
Não dá espaço
( enquanto bebe vinho francês)
Da liberdade que castra
Não olha o espelho
Não ouve
Condena
Esconde a arma
Estou farta
Quero antes o que transgride
O que está no meio
A política dos corpos
O que é matéria prima
Transitoriamente potencial
O que não tem lados
Nem muros
Nem sexo
Ou muitos sexos
O que ainda não atravessou a rua
O outro
Seja lá o que saia da sua boca
Sem dentes
...
Ouve o silêncio
Lê onde não chegam as palavras
Não existe libertação fora de si mesmo.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Do desejo
E por que haverias de querer minha alma
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Hilda Hist
Na tua cama?
Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas
Obscenas, porque era assim que gostávamos.
Mas não menti gozo prazer lascívia
Nem omiti que a alma está além, buscando
Aquele Outro. E te repito: por que haverias
De querer minha alma na tua cama?
Jubila-te da memória de coitos e de acertos.
Ou tenta-me de novo. Obriga-me.
Hilda Hist
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
O lado de cá
Todo ano
quando fica frio é assim
os mesmos galhos longos
pesados
o cheiro cítrico
a fruta no pé
todo ano o mesmo pé
o mesmo galho
cheio, cheinho
todo ano igual
me paro ao pé da janela
a adivinhar teu sabor
(a te supor)
e o cheiro que invade
a tarde
é o mesmo cheiro que amarela
ela
um dia ameixeira
seremos um do outro
eu de você
você minha
um dia ameixeirinha
não haverá janela
nem lonjura
nem vontade que não sacie
e aí
o gosto na boca
o toque no veludo
o cheiro invadindo finalmente
o lado de cá da janela.
quando fica frio é assim
os mesmos galhos longos
pesados
o cheiro cítrico
a fruta no pé
todo ano o mesmo pé
o mesmo galho
cheio, cheinho
todo ano igual
me paro ao pé da janela
a adivinhar teu sabor
(a te supor)
e o cheiro que invade
a tarde
é o mesmo cheiro que amarela
ela
um dia ameixeira
seremos um do outro
eu de você
você minha
um dia ameixeirinha
não haverá janela
nem lonjura
nem vontade que não sacie
e aí
o gosto na boca
o toque no veludo
o cheiro invadindo finalmente
o lado de cá da janela.
Grito
Tenho a voz trancada
esse grito contido
palavras
e palavras em fila
tenho esse passado
pesando o lado esquerdo
deixando o andar torto
o amor medroso
amarelado
olhos indecisos
a alma invadida
esse sonho confuso
anoitecendo
amanhecendo
infinitas manhãs
um querer guardado
acorrentado
escondido
tantas vezes partido
tenho essa
que tenta se tornar quem é
cada dia uma
cada dia mais de uma
e se indago
nunca sei quem
responde
como saber
entre tantas
qual delas me cala a voz?
esse grito contido
palavras
e palavras em fila
tenho esse passado
pesando o lado esquerdo
deixando o andar torto
o amor medroso
amarelado
olhos indecisos
a alma invadida
esse sonho confuso
anoitecendo
amanhecendo
infinitas manhãs
um querer guardado
acorrentado
escondido
tantas vezes partido
tenho essa
que tenta se tornar quem é
cada dia uma
cada dia mais de uma
e se indago
nunca sei quem
responde
como saber
entre tantas
qual delas me cala a voz?
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